Por dia, 15% das buscas feitas no Google nunca foram realizadas antes

Por dia, 15% das buscas feitas no Google nunca foram realizadas antes

Por segundo, são feitas 35 mil pesquisas no mundo todo.
Companhia faz duas alterações na ferramenta de busca por dia.

A ferramenta de busca do Google completa 15 anos de vida em 2013, com 2,3 bilhões de páginas indexadas a mais do que quando começou a funcionar em 1998. Se hoje, a companhia encontra 60 trilhões de endereços de internet em sua busca, registrava somente 26 milhões em 1998, segundo dados apresentados pela companhia nesta quarta-feira (25) em São Paulo.

A companhia analisa 20 bilhões de páginas diariamente. Com quase 35 mil pesquisas feitas a cada segundo, 15% das buscas feitas no Google nunca foram realizadas antes.

Para processar o grande e crescente volume de novas informações sendo buscadas e as diferentes formas de procurar um mesmo assunto (“que saber o que é libras” e “linguagem brasileira de sinais”), a companhia altera constantemente os algoritmos de sua ferramenta. Somente em 2012, o Google alterou seu serviço de busca 665 vezes, ou seja, em média, cerca de duas mudanças por dia.

Muito desse trabalho é feito em solo brasileiro. Funciona em Belo Horizonte, Minas Gerais, um dos principais centros de engenharia do Google –um dos poucos focados em ranqueamento, como um determinado link é melhor classificado do que outro. A sede administrativa fica em São Paulo.

O centro foi formado quando a brasileira Akwan Information, formada por um grupo de professores da UFMG, foi adquirida pelo Google em 2005, e hoje, um dos sócios-fundadores, Berthier Ribeiro-Neto, é o diretor de engenharia da norte-americana. Nesses oito anos, o Google investiu US$ 150 milhões no centro.

Ribeiro-Neto lidera uma equipe de cem engenheiros que compõem o centro, um dos cerca de 30 no mundo, responsáveis pelas alterações e melhorias no buscador. Segundo o Google, 100% das buscas em todo o mundo são processadas por alguma alteração de algoritmo feita pela equipe mineira.

Em busca de ideias
Apesar de o número de 665 alterações parecer alto, poderia ser bem maior. Segundo o Google, só em 2012, surgiram 118,8 mil ideias para mudar a ferramenta de busca, que foram peneiradas até chegar ao número de modificações implantadas. Na segunda etapa, chegam apenas 10,3 mil dessas ideias aos chamados de “raters”, estudantes universitários contratados pela empresa após passarem por treinamento. A terceira etapa é a avaliação de usuários reais –no último ano, chegaram a essa fase 7 mil ideias.

Além das novas informações e das formas diferentes de pesquisar, as alterações são feitas para tornar os resultados mais próximos da realidade regional de quem busca e mais recentes. Há também o esforço de criar novas formas de pesquisa por meio de aparelhos móveis (busca por voz ou por imagem) e tornar as respostas mais completas.

Ainda assim, há algumas restrições. “A gente não faz nenhum tipo de intervenção manual nos algoritmos de ranqueamento”, diz Bruno Augusto Vivas e Pôssas, engenheiro do Google. O exemplo dado pela companhia para mostrar um problema que poderia ser solucionado por uma alteração manual no algoritmo é a exibição de resultados diferentes para “cirurgia de retirada de vesícula” ou, pelo seu nome técnico, “colecistecomia”.

Coca-Cola
Segundo Ribeiro-Neto, toda e qualquer alteração na ferramenta é feita apenas por algoritmos, pois surgem tantos problemas que não seria escalável fazer modificações uma a uma e o intuito é resolver um mesmo problema que ocorre em todas as línguas –são 146.

Os engenheiros brasileiros do Google dizem que o centro de BH é responsável pela segunda mudança mais importante já feita no Google e por cinco das 30 mais relevantes. Quando questionados quais foram as modificações, desconversam. “Isso é que a fórmula da Coca-Cola, sabe?”, brinca Pôssas.

Helton Simões GomesDo G1, em São Paulo

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