O mundo Google

O mundo Google

Ele mudou a internet e a nossa vida. Agora quer revolucionar todo o resto.

Talvez você não se lembre, mas houve um tempo em que as informações eram caras e difíceis de conseguir. Você precisava comprar um jornal, ligar para outras pessoas, fazer perguntas, passear em bibliotecas até encontrar o livro certo ou gastar horas decorando um texto que você não podia esquecer. Daí veio 1998 e tudo isso mudou com uma simples palavra: Google.

“Ele tornou as informações mais fáceis e mais próximas da vida das pessoas”, diz Joe Janes, professor da disciplina “Google” na Universidade de Washington, Estados Unidos. Números de telefone, datas históricas, biografia de qualquer personalidade, as notícias de cinco minutos atrás, o melhor lugar para se comprar uma casinha de cachorro – qualquer mistério ou desejo urgente pode ser resolvido em poucos minutos com a mais popular ferramenta de busca da internet. O Google se tornou uma espécie de periférico do nosso cérebro – o principal intermediário entre nós e o enorme manancial de informações disponível na rede. Junto com o celular e a pílula anticoncepcional, é um dos raros casos em que uma tecnologia vira um fenômeno cultural e muda a sociedade. Nos Estados Unidos, ele deu origem a um verbo – as pessoas não procuram informações sobre alguma coisa, elas “googlam” ou “fazem um google” nela. Também gerou histórias quase épicas, como a de um homem que encontrou o pai depois de 34 anos ou a de uma mulher que, em meio a um ataque cardíaco, achou informações de como salvar a própria vida. Situações semelhantes se repetem no resto do mundo. Depois do Google, o problema não é mais achar o que você quer saber – é saber o que você quer achar.

Para o Google, entretanto, tudo isso ainda é pouco. O próximo passo é nada menos do que mudar a internet e a forma como lidamos com nosso computador, nossas tarefas e nossas informações. Levantar dinheiro para uma empreitada tão grande vai ficar por conta da oferta pública inicial de ações da empresa, que deve levantar ao menos 2,7 bilhões de dólares. O anúncio da venda causou um furor entre os investidores americanos como não se via desde a queda das ações de tecnologia, em 2000.

Não é pouca coisa para uma empresa que ainda não completou seis anos de idade. O Google surgiu em 1998, quando Sergey Page e Larry Brin, estudantes da Universidade Stanford, Estados Unidos, se reuniram em uma garagem para colocar em prática suas pesquisas no campo de busca de informações. Até então, ferramentas como Altavista dominavam a internet com uma abordagem bastante simples. Os resultados eram organizados de acordo com o número de vezes e o lugar em que uma palavra-chave aparecia no texto – se ela estava incluída no título, por exemplo, ganhava mais pontos. Era só escrever a mesma palavra milhares de vezes em algum canto da página que o lugar entre os primeiros resultados estava garantido. Para piorar, os serviços de busca aceitavam pagamentos para colocar alguns links em destaque, o que fazia de cada busca um misto de serviço e intervalo comercial.

A idéia de Page e Brin era mais difícil de manipular. Eles avaliavam cada site de acordo com o número de links que apontassem para ele. O raciocínio era de que as páginas que fossem muito citadas em outras seriam provavelmente as mais importantes e, portanto, deveriam aparecer no topo das listas de resultados. Não era uma idéia tão nova: os acadêmicos há décadas avaliam a importância de uma publicação pelo número de artigos que fazem referência a ela. Só que, uma vez na rede, o sistema causou uma revolução: não era mais uma equação ou uma pessoa que julgava as páginas, mas sim a própria internet.

O Google – uma referência ao maior número cujo nome eles conheciam, o googol, que é o algarismo 1 seguido de 100 zeros – teve um crescimento explosivo. Valendo-se apenas do boca-a-boca, ele se tornou a maior ferramenta de buscas da internet em menos de quatro anos e fez de seus donos bilionários. Não foi só uma questão de tecnologia. Como disseram Page e Brin em uma carta publicada no início de maio aos seus investidores: “O Google não é uma empresa convencional. Não queremos nos tornar uma”. Em uma época em que as empresas de internet construíam portais com dezenas de serviços, eles ofereciam uma ferramenta de busca com o visual mais simples possível: um logotipo com um espaço em baixo. Preencha a lacuna e ganhe de brinde uma lista de respostas. Deu certo.

A empresa também ganhou fama entre os internautas por adotar um lema ao estilo Mestre Yoda: “Não seja mau”. O que ele significa na prática para uma empresa de tecnologia? No caso do Google, tudo: da recusa em colocar links pagos na lista de resultados ao tratamento dado aos funcionários e à escolha de um sistema de venda de ações que dedica uma boa parcela aos pequenos investidores. Cerca de 95% do faturamento vem de pequenos anúncios que aparecem no canto da lista de resultados ou em outras páginas afiliadas à empresa.

Como toda criança envelhece e um dia descobre que o mundo é mais complicado do que parece, o Google também percebeu que não controla todas as reações que desencadeia. A ferramenta de busca mais usada na internet é capaz de aumentar o tráfego de qualquer site ou de espalhar rapidamente uma posição política. Um exemplo: faça uma busca por failure (“fracasso”, em inglês) e o primeiro resultado será a página oficial do presidente americano. A prática, conhecida como “bombear” o Google, surgiu de comunidades na internet que se dedicam a fazer links associando um termo a uma página específica. Outros ataques vêm de empresas especializadas em manipular os resultados das ferramentas de busca. A resposta do Google é refinar seus programas e balancear essas influências com novas regras – o número de equações usadas para definir o ranking dos sites já passa de uma centena. É uma luta travada todo mês para manter a eficiência da busca e, com isso, garantir a liderança. Não faltam candidatos – grandes e pequenos – inteiramente dedicados a tomar esse posto, uma briga que deve se acelerar nos próximos meses. Pelo que se vê, o ano de 2004 marca o começo da guerra dos buscadores.

 

Buscando as buscas

Não é fácil fazer uma ferramenta de pesquisa para milhões de pessoas, principalmente quando a maioria delas não tem a mínima idéia de como usá-la. Uma pesquisa recente da empresa americana Nielsen Norman mostrou que 60% dos internautas digitam apenas uma palavra no campo de busca e 67% se contentam com os dois primeiros resultados, que em muitos casos não são suficientes para resolver o problema. Facilitar a vida do usuário não é só uma questão de diminuir o número de sites até deixar só os mais importantes. “As pessoas querem que a ferramenta encontre um número gigantesco de sites, mas não costumam ver além dos primeiros resultados. É um comportamento um tanto paradoxal”, diz Carlos Augusto Araújo, diretor executivo dos serviços de busca Yahoo! na América Latina.

O problema é maior do que parece. “Os buscadores se tornaram tão presentes na vida das pessoas que existe o perigo de elas acreditarem que, se uma coisa não aparece no Google, ela não existe”, diz Joe Janes. Só que a maior parte dos documentos, online ou não, está fora do alcance das ferramentas de pesquisa. Acredita-se que as páginas listadas no Google correspondam a menos de 1% da internet. A defasagem acontece porque os buscadores dependem de pequenos softwares que rastreiam a internet pulando de link em link. No entanto, existem bilhões de catálogos de lojas, informações sobre vôos, arquivos, relatórios governamentais e bancos de dados que só podem ser acessados quando um humano requisita a informação ou preenche um formulário, o que os torna invisíveis às ferramentas de busca.”Se a pessoa não souber acessar esses recursos, a qualidade da pesquisa pode ficar bastante comprometida”, afirma Janes.

É nesse cenário que empresas iniciantes e grandes portais estão se engalfinhando para derrubar o Google do trono dos buscadores. Conseguir clientes não é difícil: ao contrário de serviços de e-mail, é possível trocar a ferramenta de busca da noite para o dia sem qualquer esforço. Requer apenas que os serviços tragam alguma vantagem. Idéias não faltam: o número de formas de se ordenarem as buscas é quase tão grande quanto o de páginas na internet. “Por enquanto, quem consegue competir com o Google são as buscas específicas, por local, setor ou assunto”, diz Fábio de Oliveira, criador da ferramenta de busca Cadê e consultor. O Scirus, por exemplo, ganha espaço entre as buscas científicas, e o A9, da Amazon, a maior livraria da internet, se destacou por fuçar palavras-chave dentro de um catálogo de 120 mil livros.

A grande concorrência, no entanto, vem de um dos maiores portais da internet, o Yahoo!, que até fevereiro usava o serviço de busca do próprio Google. Desde então, ele adotou uma ferramenta própria que reúne o melhor de três outros grandes buscadores e a tecnologia antispam do seu serviço de e-mail para filtrar as páginas indesejadas. “Tentamos adaptar essa tecnologia para o Brasil e definir alguns casos em que é melhor privilegiar as páginas nacionais”, diz Carlos Augusto, do Yahoo!. O Google, por sua vez, diz ter 60 pesquisadores dedicados a achar novas formas de busca. Para estimular a inovação, cada um deles pode gastar 20% da sua jornada de trabalho em um projeto que escolherem. Algumas idéias viraram recursos do site, mas nenhuma tem o mesmo poder de fogo da descoberta que deu origem à companhia.

O que poderia ser o próximo pulo do gato? Ninguém sabe, mas todos concordam que as tecnologias mais sofisticadas de hoje ainda estão na pré-história dos buscadores. No entanto, é possível ter uma idéia do que vem por aí se olharmos as engenhocas que já existem para as redes internas de empresas. “Estamos trabalhando com ferramentas de busca da geração seguinte à do Google, em que a idéia é entender o sentido de cada texto”, diz Ivan Moura Campos, da empresa Akwan e único brasileiro na Icann, órgão mundial responsável por estabelecer regras de uso da internet. Esqueça as palavras-chave. As tecnologias corporativas de hoje conseguem analisar os textos, agrupá-los por assuntos e classificá-los em hierarquias de assuntos, as taxonomias. Se um serviço desses cobrisse toda a internet, uma busca por “São Paulo” traria ao lado dos resultados a opção de definir se você está se referindo à cidade, ao santo ou ao time de futebol. A complicação é que, apesar de o processo ser quase todo automático, alguns detalhes das taxonomias precisam ainda ser feitos por humanos, o que torna quase impossível que a ferramenta seja aplicada para os bilhões de assuntos da internet.

No entanto, uma vez que os computadores entenderam o assunto de cada página, eles podem analisá-la de maneiras surpreendentes. É o que tenta fazer a webfountain, uma tecnologia que a IBM desenvolve há quatro anos. Ela vasculha a internet em busca de padrões que só podem ser percebidos quando você analisa milhares de documentos. Entre as aplicações, é possível saber se os processos internos de uma empresa estão funcionando como deveriam, se algum fornecedor está envolvido em esquemas de lavagem de dinheiro ou qual é a opinião do público sobre uma mercadoria. Um fabricante de xampus descobriu, por exemplo, que o público em geral considerava o seu produto, acima de tudo, uma boa maneira de remover graxa do chão da garagem. Usadas na rede interna da empresa, tecnologias parecidas acham não só textos, como também o autor, os processos envolvidos na fabricação de cada documento e, se for necessário, colocam todos em contato imediatamente. “A própria busca facilita a colaboração entre os funcionários da empresa”, diz Maurício Consulo, gerente de tecnologia da área de portais da IBM.

Ainda deve demorar um bocado para que essas tecnologias cheguem até a maioria das pessoas. “Fazer ferramentas para empresas é muito mais fácil do que para a web. O usuário é conhecido, sabe usar o produto e tem objetivos definidos. Mas a experiência mostra que muitas dessas ferramentas acabam chegando ao grande público”, diz Maurício. Há uma forma de acelerar esse processo. Em abril, o Consórcio World Wide Web, que define protocolos para a web, criou um padrão para dar sentido às páginas da rede. Com ele, qualquer programador pode classificar documentos em uma linguagem que os buscadores consigam interpretar. Apelidado de “rede semântica”, o projeto torna fácil construir taxonomias e encontrar coisas específicas, como um dentista com horários às terças-feiras, um carro amarelo custando menos de 3 mil reais ou a lista de lojas de roupa abertas depois das 23 horas. Para virar realidade, entretanto, o projeto precisa da mesma força e rapidez com que blogs e programas de mensagens instantâneas se espalharam pela rede.

Procurando você

Cada pessoa busca uma coisa diferente na vida. Na internet não é diferente: a mesma pesquisa pela palavra “lula” deve ter resultados diferentes quando feita por um biólogo marinho ou por um funcionário em Brasília. Mesmo os melhores buscadores vão trazer links inúteis se não conseguirem saber quem fez a pergunta e onde ele está. Mas de onde tirar essas informações?

Nesse ponto, o Google é um iniciante. Portais como Yahoo! e MSN, da Microsoft, possuem milhares de usuários cadastrados em seus provedores de e-mail e em dezenas de outros serviços. Foi só no final de 2002 que o Google correu atrás e passou a abrigar serviços como busca de produtos (www.froogle.com), uma ferramenta de blogs (www.blogger.com), listas de discussão (groups-beta.google.com) e um buscador de notícias (news.google.com). Por fim, criou o Gmail (gmail.google.com), um provedor de e-mail gratuito com 1 gigabyte de espaço, centenas de vezes maior do que o oferecido por outros serviços e suficiente para que um usuário comum guarde as mensagens de uma vida inteira. Poucas semanas depois, o Yahoo! anunciou que vai aumentar consideravelmente o espaço disponível aos seus usuários de e-mail.

Juntando as informações de todos esses serviços, eles saberão o que as pessoas procuram, escrevem, conversam, compram, discutem, com quem se relacionam, com o que se preocupam e gastam seu tempo. A partir de agora, a idéia é que cada lista de resultados seja feita sob medida. Só que ainda vai demorar um bocado até que eles o conheçam o suficiente para prever seus desejos e lhe oferecer informações de que nem você sabia que precisava. Entre as possibilidades mais mirabolantes está a de Craig Silverstein, chefe de tecnologia do Google, que imaginou programas que conheceriam suas relações a ponto de ajudarem em questões como “o que minha mulher quis dizer quando falou aquilo?”.

Por enquanto, o máximo que se consegue é filtrar algumas páginas a partir de preferências que a própria pessoa determina (o Google tem um programa desses em teste no endereço labs.google.com/personalized). O próximo passo talvez seja valer-se das informações disponíveis em redes sociais como o Orkut, um site em que as pessoas cadastram seus amigos e formam “teias” de relacionamentos. Inaugurado em janeiro, o serviço conseguiu mais de 320 mil usuários em apenas quatro meses. Cada pessoa precisa ser convidada por um membro para acessar o site – o que faz com que todos os participantes estejam interligados. Lá eles incluem fotos, contatos e um perfil que, pelas normas do serviço, podem ser repassados ao Google. O que ele faz com isso? Não muita coisa, por enquanto. Uma dica do que pode vir está em outro site parecido, o Eurekster (www.eurekster. com), que cataloga as páginas mais acessadas por seus amigos e usa essa lista para refinar seu buscador. É como se eles estivessem indicando sites para você, da mesma forma como as pessoas pedem dicas para os conhecidos na hora de comprar um carro ou escolher um restaurante.

É claro que isso não sai de graça. Os benefícios que essa personalização traz para você não são nada perto do que os anunciantes ganham. “A publicidade online hoje é feita a partir de palavras-chave, mas a internet permite que a empresa fale pessoalmente com cada indivíduo”, diz Fábio Oliveira. Todo esse plano vai por água abaixo se as pessoas, muito sensatamente, começarem a se preocupar com privacidade. A notícia de que o novo serviço de e-mails do Google seria acompanhado de anúncios escolhidos de acordo com o conteúdo das mensagens gerou protestos em todo o mundo. Usuários e organizações de defesa dos direitos civis se revoltaram diante da idéia de ter seus e-mails rastreados, mesmo que apenas por máquinas. Resta saber até que ponto o público em geral está disposto a abandonar alguns serviços para proteger suas informações pessoais e de que forma o lema “não seja mau” vai ser interpretado daqui em diante.

A preocupação com privacidade deve aumentar à medida que os buscadores se espalhem para outras esferas da sua vida. Já é possível fazer pesquisas a partir de celulares, computadores de bolso ou laptops que, apesar de revelar informações sobre onde você está e o que quer fazer, quebram um enorme galho. Nos Estados Unidos, tanto o Google quanto o Yahoo! são capazes de indicar pizzarias, hotéis, farmácias, bares e outras atrações disponíveis perto de onde você estiver. “Pretendemos trazer esse serviço para o Brasil, mas ainda precisaremos de um ou dois anos”, diz Carlos Augusto, do Yahoo!.

Tudo em todo lugar

As possibilidades de inovação são tantas que, cedo ou tarde, a guerra dos buscadores vai mudar a internet. Essa possibilidade chamou a atenção de um dos gigantes do mundo da informática: a Microsoft. No ano passado, Bill Gates afirmou que um dos maiores erros que a empresa já cometeu foi não ter dado a devida atenção ao desenvolvimento de buscadores. Significa chumbo grosso na direção do Google.

O primeiro passo da Microsoft, previsto para o final do ano, é montar uma ferramenta de pesquisa de última geração. Além de inaugurar buscadores de notícias e blogs e tentar personalizar os resultados, eles querem responder perguntas feitas na linguagem de todo dia, como “Quem ganhou o jogo?”. Outra ambição é responder diretamente algumas questões. “O resultado de uma busca não pode ser sempre uma lista de links”, diz Oswaldo Barbosa, diretor-geral no Brasil do MSN, o portal da Microsoft.

Esse é o plano de curto prazo. O passo seguinte é integrar um buscador à próxima versão do Windows, apelidada de Longhorn, prevista para 2006. O seu computador manteria uma lista com textos, e-mails, páginas da internet, anotações de agenda e todo tipo de informação que você tenha acessado. Se fizer uma busca por uma pessoa, os resultados vão ser não só as informações sobre ela na internet como também e-mails e as datas das reuniões entre vocês dois. Enquanto você lê, outra ferramenta trabalharia para sugerir textos e páginas relacionadas ao que você está fazendo. São recursos que só a Microsoft – fabricante da maioria dos softwares usados nos computadores pessoais – pode se dar ao luxo de colocar em prática.

A resposta do Google foi atacar de frente. No final de maio, ele divulgou que está desenvolvendo um programa capaz de fazer buscas dentro dos computadores e, quando pronto, pretende distribuí-lo de graça. Ele se recusa a discutir outros planos, mas, segundo vários analistas, esse também é apenas um primeiro passo. O resto da estratégia é transportar tudo o que você usa para a internet. Se o Google já fornece um espaço gigantesco para guardar seus e-mails na rede, por que não aumentar um pouco a capacidade e levar todo o resto? Você poderia acessar suas informações de qualquer lugar e até processá-las com as ferramentas disponíveis na web. O mesmo arquivo poderia ser visto do seu computador do trabalho, de casa, do celular, da televisão, do palm, do som do carro ou de qualquer outro aparelho. A configuração e o processamento desses serviços ficariam por conta do Google. “É muito inconveniente instalar todos os programas de que você precisa no computador. Para a maioria das pessoas, acessar tudo por um navegador vai ser mais barato e eficiente”, diz Ivan Moura Campos. Seria um grande problema para a Microsoft: de uma hora para outra, o Windows perderia grande parte da sua importância.

Tentativas como essa até então esbarraram na baixa velocidade de acesso à internet, mas essa situação já mudou: segundo o Ibope, 4,3 milhões de brasileiros têm serviços de acesso rápido em casa. “Eu sempre imaginei a internet como um sistema operacional grande e descentralizado. O Google me fez perceber que ele pode ser abrigado em uma só empresa”, disse Tim O’Reilly, presidente da editora O’Reilly Media, à revista americana Newsweek. A Microsoft não parece muito assustada com a idéia. “O computador pessoal dá mais recursos para o usuário e foi o principal fator de todas as evoluções que vimos até agora. Não imagino como acessar toda a riqueza de conteúdo da internet sem uma máquina poderosa”, diz Oswaldo Barbosa, do MSN.

O Google tem uma boa arma nessa batalha: a reunião de mais de 100 mil pequenos processadores que, segundo alguns analistas, pode ser considerado o maior computador do mundo. O tamanho exato da máquina é desconhecido, mas sabe-se que ele foi montado a partir de placas simples, dessas que são encontradas em qualquer loja, e reunidos em uma só máquina muito mais barata e rápida que outros supercomputadores. Para construí-la, foi preciso desenvolver dezenas de tecnologias sofisticadas que poderiam, cada uma, ser o único produto de uma nova empresa. Para garantir a estabilidade, o sistema já prevê que parte da máquina irá falhar a qualquer momento – algumas placas chegam a ser presas com velcro em vez de parafusos para facilitar a remoção. O poder de uma máquina dessas permite que eles coloquem em prática novos serviços e sonhem em mudar a internet em uma escala que ninguém havia tentado.

A disputa entre Google, Yahoo!, Microsoft e o resto da internet não vai acabar tão cedo. “Não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. Teremos vários benefícios no meio do caminho, mas não esperamos resolver todos os problemas de uma só vez”, diz Oswaldo. Já Silverstein, o chefe de tecnologia do Google, declarou à imprensa que o objetivo final é fazer uma versão eletrônica de um bibliotecário – alguém que o conheça, entenda suas perguntas, traga respostas confiáveis, saiba que línguas você fala, forneça a quantidade ideal de resultados e sugira novas abordagens para o problema. O tempo necessário para chegar até uma tecnologia perfeita como essa, segundo Silverstein, é 300 anos. Como será nossa vida quando ela existir? Nem a melhor das ferramentas de busca de hoje consegue nos dar essa resposta.

 

Como usar os buscadores

• Use mais de uma palavra para fazer a busca

• Se quiser achar uma frase, escreva tudo entre aspas

• Formule as frases em forma de resposta. Em vez de perguntar “O que é um servidor”, escreva “um servidor é”

• Abandone o Google quando encontrar uma página especializada no assunto que lhe interessa. Tente seguir as referências que você encontrar por lá

• Use o sinal de menos para eliminar palavras, nesse estilo: bolsa -bovespa -ações

• Use * se não quiser especificar um termo no meio de uma frase, como em “universo tem * anos”

• Clique em “Pesquisa avançada” para restringir a busca por língua, data, site ou tipo de arquivo

 

As estatísticas do Google

• Recebe, em média, 82 milhões de visitantes por mês

• Responde a 300 mil pesquisas por segundo

• Teve um lucro de 64 milhões de dólares no primeiro trimestre deste ano

• O faturamento da empresa cresceu 176% em 2003

• Procura em mais de 4,28 bilhões de páginas de texto e 880 milhões de imagens

• Já foi traduzido para 97 línguas (incluindo klingon, falado na série Jornada nas Estrelas)

• Page e Brin, criadores do site, estão na posição 552 da lista dos bilionários da revista Forbes

• Posuem 150 mil clientes que anunciam ao menos uma vez por mês

 

2001 segundo o Google

Ataque de esoterismo

Nem Bush nem Bin Laden. Quem saiu ganhando mesmo com os ataques em Nova York foi Nostradamus. As buscas pelo nome dele foram as que mais cresceram no ano, principalmente depois de 11 de setembro.

 

Caindo na bolsa

Como a venda de açõesmuda uma empresa

Lia Pimenta

Muita coisa muda em uma empresa no dia em que ela começa a vender ações na bolsa. A partir do IPO (sigla em inglês para “Oferta Pública Inicial”), ela tem que prestar contas a seus acionistas e seguir uma série de normas que a tornam mais profissional e burocrática. Os dias de pequena empresa em que as idéias dos donos podem ser prontamente realizadas acabam. Em contrapartida, o dinheiro que recebe permite contratar mão-de-obra, aumentar a produção e crescer muito.

Até o ano 2000, quando as empresas de internet pareciam fortíssimas promessas econômicas, o IPO virou uma febre, inclusive no Brasil. “A perspectiva era enorme e muitas empresas conseguiram vender ações por preços tecnicamente fora de propósito”, afirma Milton Luiz Milioni, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercardo de Capitais de São Paulo (Apimec-SP). Até o clima da empresa mudava. “Os funcionários ficavam eufóricos para participar do que parecia uma mina de ouro”, diz Milton. Valia tudo: mostrar projetos inviáveis ou comemorar acordos que não significavam muita coisa. “Era um grande ‘me engana que eu gosto’. Passar a imagem de que a empresa mudaria o mundo era mais importante do que ter um plano de negócio sério”, afirma Fábio de Oliveira, criador do site Cadê, que acompanhou a febre de IPOs da época.

Só que a promessa não se cumpriu. “Falava-se que um computador custaria 100 dólares e cada brasileiro teria o seu. Imaginava-se que seríamos muito mais dependentes da rede do que somos agora. A frustação foi geral”, diz Milton. Hoje, os investidores estão mais cautelosos. “Os preços ficaram mais justos. O IPO do Google talvez seja o primeiro de uma nova era, em patamares muito mais realistas”, afirma Milton.

 

2002 segundo o Google

Nada muito sério

Apesar da guerra e da Copa do Mundo, as personalidades mais procuradas do ano foram Eminem e Jennifer Lopez

 

2003 segundo o Google

Que guerra?

No começo do ataque ao Iraque, as buscas pelo país explodiram tanto quanto as bombas em Bagdá (abaixo). Mesmo assim, a guerra foi menos popular que filmes e celebridades

 

Engane o Google

Torne-se o primeiro resultado na lista

1 – Escolha um termo para associar ao seu site. Quanto menos convencional for, menor vai ser a concorrência e mais fácil vai ser você chegar ao topo da lista.

2 – Peça para seus amigos colocarem links para a sua página no site ou blog deles. Dependendo da palavra-chave que você escolheu, umas poucas dezenas de blogueiros já podem fazer um barulhão

3 – Insista para que a âncora (a palavra que você clica para passar para outro site) do link que aparece na página deles seja a palavra que você escolheu. O Google usa essa pista para avaliar as páginas

4 – Espere cerca de um mês até que o Google rastreie todas esses sites

5 – Faça algumas buscas no Google para ver se funcionou. Se não, tente achar mais amigos

 

O que o Google tem?

Calculadora

Digite uma conta e ele dá o resultado. Vale até equação com seno, co-seno e fatorial

Lista Telefônica

Quer achar alguém nos Estados Unidos? É só digitar o nome da pessoa e da cidade dela

Ações

Escreva a sigla de uma empresa na bolsa de valores e ganhe uma página com as cotações

Números

Jogue o número de um avião ou de um pacote da FedEx ou UPS e receba a localização do vôo ou da encomenda

Dicionário

Escreva “define” seguido de uma palavra em inglês. O Google irá procurar definições dela espalhadas pela web

Busca local

local.google.com

Informa lojas e serviços ao redor de um endereço, desde que seja nos Estados Unidos

Froogle

http://www.froogle.com

É um serviço de busca por produtos capaz de informar lojas, modelos e preços

Answers

answers.google.com

Um arquivo de perguntas. Se a sua não estiver lá, você pode pagar para alguém responder

Wireless

http://www.google.com/wml

Um serviço de buscas que pode ser acessado com o navegador do celular

Notícias

news.google.com

Pesquisa em mais de 4 500 jornais, revistas e agências de notícias online

 

2004 segundo o Google

No mundo todo

Mais da metade do público vem de fora dos Estados Unidos. Esse número tem aumentado nos últimos anos. Em 2001, 64% das buscas eram em inglês

 

Busca do futuro

Novas maneiras de acharinformações na internet

A9

Procura palavras em mais de 120 mil livros e guarda histórico das buscas

http://www.a9.com

Eurekster

Organiza os resultados de acordo com indicações de amigos

http://www.eurekster.com

Feedster

Organiza os resultados de acordo com indicações de amigos

www. feedster.com

Scirus

Uma ferramenta de pesquisa especializada em publicações científicas

http://www.scirus.com

Teoma

Vê a web como se fosse uma reunião de comunidades discutindo assuntos diferentes e procura, em cada uma delas, a página com mais autoridade

http://www.teoma.com

Vivísimo

Tenta entender o significado das páginas e reuni-las por assunto. Depos, organiza os temas em hierarquias, também chamadas de “taxonomias”

http://www.vivisimo.com

 

Como o Google mudou…

• A MEDICINA

“Ele revolucionou a relação entre médico e paciente. Muitas pessoas passaram a discutir os pareceres depois de se informar sobre a doença na internet.”

Renato Sabbatini, diretor do Núcleo de Informática Biomédica da Unicamp.

• O JORNALISMO

“O Google nos deu agilidade, mas também a ilusão de que a matéria está pronta depois de pesquisar no site. Antes, quem trabalhava na grande imprensa tinha a vantagem de usar bons centros de pesquisa. Hoje, todos têm fontes parecidas”

Bia Abramo, da Folha de S. Paulo

• O DIREITO

“Economizamos o tempo que perderíamos procurando essas informações em livros e bibliotecas. O lado ruim é que você acaba somente dando uma olhada por cima e não lendo o livro inteiro.”

Ubirajara de Lima, da Orsi & Barreto Consultoria Empresarial Ltda.

• A EDUCAÇÃO

“Ele acessa um conjunto diversificado de informações, que vão de textos sofisticados até empulhações. O leitor é quem tem que decidir em que confiar, o que exige uma educação melhor e mais preparo dos professores.”

Nelson Pretto, diretor da Faculdade de Educação da UFBA

 

Para saber mais

Na livraria:

How to Do Everything with Google – Fritz Schneider, McGraw Hill, EUA, 2004

Na internet:

O próprio Google – http://www.google.com

Site sobre ferramentas de busca – http://www.searchenginewatch.com

Por Rafael Kenski

Super Interessante

 

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